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EURICO MIRANDA ARRASTA CORRENTES


O mais folclórico dirigente vascaíno, Eurico Miranda ( Foto – Crédito ge.globo.com ), falecido em 2019, presidente do clube por quatro vezes, deve estar arrastando correntes, onde ele estiver. Eurico sempre foi centralizador no comando do Vasco. Errou e acertou muito. Seu amor pelo clube e seus métodos de trabalho, são marcas registradas de um tempo que o Vasco não tinha dono oficial, mas um dirigente que mandava e desmandava, como se dono existisse.


Desde o falecimento de Eurico Miranda, o Vasco anda por turbulências políticas e uma série de trapalhadas que deixariam o velho dirigente irritado. Ele estaria incomodado com essa coisa de SAF, que na prática vende parte do poder do clube em troca de migalhas, ou melhor, em troca da galinha dos ovos de ouro do poder, o futebol. O perfil do velho Eurico apontaria para uma solução onde o dinheiro não tirasse o poder político, muito menos o afastasse do futebol. Em resumo, o dinheiro é seu, mas o Vasco é dos vascaínos e do seu líder.


Eurico era conhecido até pelos inimigos como homem de palavra. Honrava compromissos verbais, até mais do que os assumidos no papel. Assumia erros e não admitia dividir protagonismo, errou ou acertou, era a palavra do Seu Eurico e fim de papo. Hoje, o Vasco tem um presidente, uma tratativa de parceiro SAF e o método é empurrar os problemas com a barriga. Os problemas são do Vasco e as soluções o clube terceiriza e espera alguém com o cheque na mão assumir. Isso jamais aconteceria com Eurico Miranda vivo.


Sem polemizar, a esperteza do velho dirigente era de outro tipo. Não importa quem estivesse ajudando, quem assumia o protagonismo e decidia era ele e fim de papo. Um exemplo claro. Zé Ricardo poderia até saber que seu nome era rejeitado para o futuro. Nem imaginaria uma mudança sem consultar Eurico e se o mandatário não concordasse com a saída, podem ter certeza, que o treinador teria as famosas promessas de Eurico como impedimento para deixar o clube, principalmente invicto e com chances de acesso.


Eurico também não deixaria nas mãos de Carlos Brazil e Eduardo Húngaro a escolha do sucessor de Zé Ricardo. Nomes vazariam para sentir a rejeição. Mauricio de Souza, sem experiencia, com passagem pelo rival e para um cargo explícito de tampão, não passaria pelo crivo do dirigente. Ele não perderia a oportunidade de manter Emilio Faro após duas vitorias expressivas. Melhor um desconhecido com resultados na mão do que outro sem resultados.


Eram outros os tempos no Vasco da Gama. Muitas coisas erradas aconteceram na época de Eurico Miranda. Porém, o clube tinha comando. Certo ou errado, tinha alguém na linha de frente dando as cartas, mesmo que fossem cartas marcadas. O Vasco não estaria refém do auxílio-futebol (SAF). Com certeza o velho Eurico deve estar arrastando suas correntes e gritando, me deixem voltar. “Para os vascaínos tudo, para os outros nada! Vasco, Vasco......