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EU GOSTARIA, MAS...


Eu gostaria de começar esta coluna lembrando que ele esteve no Mundial Sub-20 de 2007, nas Olimpíadas de 2008, na Copa das Confederações de 2013 e na Copa do Mundo de 2014.


Mas sou obrigado a lembrar todas as vezes em que ele foi flagrado bêbado. Ou quase.


Eu gostaria de falar que ele que veio do “terrão” e que desde muito cedo chamou a atenção pela facilidade com que marcava gols.


Mas sou obrigado a lembrar os inúmeros casos de indisciplina que ele, desde cedo, pareceu cometer com gosto.


Eu gostaria de comentar sobre a imensa identificação que ele sempre teve com a Fiel, que via em seu rosto o rosto de um corintiano. Eram quase espelhos, um do outro.

Mas sou obrigado a lembrar o pouco caso, a malemolência em campo, o “faz de conta de que eu não estou aqui” e a vontade explícita de que o jogo acabasse logo para que pudesse aproveitar a noite.


Eu gostaria de comentar sobre todas as vezes em que ele, de forma sincera, pediu perdão à família, à torcida, aos companheiros, ao técnico e ao clube.

Mas sou obrigado a lembrar que pouco depois ele voltou a cometer os mesmos erros, sem mostrar arrependimento algum.


Eu gostaria de falar que, além do Brasil, ele atuou na Rússia, na Inglaterra, na Turquia, nos Emirados Árabes, na China e no Japão.


Mas ou obrigado a dizer que em nenhum destes países conseguiu driblar seu maior adversário: o álcool.


Eu gostaria de falar sobre os mais de 230 gols que ele já marcou como jogador de futebol profissional, os 13 títulos que ganhou coletivamente ou os seis que conseguiu de forma individual, dois destes como “Craque do Brasileirão”.


Mas sou obrigado a dizer que, recentemente, mesmo em meio a um tratamento médico, foi flagrado numa casa noturna paulistana cantando pagode e bebendo cerveja – e isso no mesmo momento em que seu time perdia uma partida, o que resultou em sua rescisão contratual.

Eu gostaria de falar, por fim, que aos 35 anos ele já é um homem rico e com o futuro garantido, e que por isso pode aproveitar a vida da forma como bem lhe convier.


Mas sou obrigado a dizer que, apesar disso, está mais do claro que ele não é feliz.


Que pena, Jô.

Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 34 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 17 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br