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Estaduais cada vez mais distantes


Os Estaduais estão cada vez mais distantes de uma possível retomada do futebol brasileiro. A realidade dessas competições impõe uma trava no sonho de serem finalizadas. O tempo de contrato dos jogadores de clubes médios e pequenos, basicamente contratos de curta duração, só para a competição. Um exemplo dessa limitação é o Santo André em São Paulo. Líder da competição, a pandemia implodiu o elenco e poucos jogadores ainda estão ligados ao clube.


A situação dos coadjuvantes inviabiliza a disputa. Terminar a competição com nítida desvantagem para essas equipes, seria jogar no lixo o espírito da disputa. No entanto, o Brasil, país continental, voltar pela força, com os estaduais, só tem uma justificativa. A impossibilidade logística para o início das competições nacionais. O problema é tão sério, que a série D nacional, vive entre cancelamento e sobrevivência. A elite será obrigada a invadir o calendário do próximo ano, isso se a limitação logística for resolvida.


Usar os estaduais como caminho mais curto para a volta pós pandemia, pode parecer lógico, mas vai condenar os eternos coadjuvantes a saco de pancadas. Vai virar uma espécie de torneio início das competições nacionais e perder interesse. Com a invasão de calendário pelas competições nacionais na próxima temporada, os estaduais ficarão em pior situação. Não haverá datas, planejamento para os pequenos e interesse em queda brutal.


Encerrar os estaduais na canetada e reestruturar o calendário pós pandemia é a solução mais inteligente. Confesso que acreditar que as Federações Estaduais irão assumir custos para viabilizar o encerramento das disputas em condições mínimas, é acreditar em Coelhinho da Páscoa e Papai Noel. Teriam que negociar contratos de jogadores, assumir riscos e deixar de fazer o fácil papel de tutor de direitos de transmissão. O problema é ter coragem para fazer tudo isso.