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Essa loucura por técnico estrangeiro lembra o velho Lada

Essa loucura por técnico estrangeiro lembra o velho Lada. Foi assim numa época aqui no Brasil. O meu vizinho dizia para todo mundo que tinha carro importado. Era um Lada novíssimo, mas que de tão ruim já parecia velho e dava um problema atrás do outro. E quando tinha que trocar peças era pior ainda. Tinha que esperar vir da Rússia. Mas ele estava certo, tinha mesmo um carro importado, mas era ruim, ou pelo menos, não era top dos tops. Mais vale um gosto do que a qualidade. E assim foi a vida de muitos brasileiros iludidos e obcecados por um carrinho importado.



Hoje o futebol brasileiro vive a obsessão do técnico estrangeiro. Se não for brasileiro já serve. Eu quero os estrangeiros bons. Quero Ferrari, Lamborghini, Mercedes, BMW, Aston Martin, Rollys Royce. Esses eu quero, se for para trazer de fora que venham os bons. É um ótimo intercâmbio.



O melhor técnico da América do Sul hoje é Jorge Jesus, campeão pelo Flamengo, e que estava no segundo escalão Europeu. É competente, mas tem que agradecer muito ao que o Flamengo lhe deu para trabalhar. Tenho certeza que não faria a mesma coisa com o elenco do Goiás, Bahia ou Fortaleza.



Assim como Ariel Holan, ex-técnico do Defensa e Justicia, da Argentina, hoje no Independiente, não pode ser colocado num patamar tão alto. O Defensa é um Mogi-Mirim melhorado e não serve de parâmetro. Ah, mas fez um bom trabalho lá. Na verdade tem um currículo de poucos títulos.



Parece mais um Renê Simões ou Fernando Diniz. Agrada a imprensa, mas não tem resultados. A verdade é que vários Campeonatos pelo mundo são muito fraquinhos e não podem servir de parâmetro. Isso quer dizer que esses técnicos são ruins? É claro que não, mas no mínimo temos iguais por aqui.



Além de Jesus, um técnico que eu gostaria de ver treinando no Brasil, seria Marcelo Gallardo, mas ele já renovou com o River Plate. Esse sim é uma Ferrari ganhadora. Ah, mas Miguel Ramirez, do Independiente del Valle, foi bem. Foi sim, ganhou a Copa Sul-Americana com méritos, mas disputa o Campeonato Equatoriano, que é muito fraco e dá espaço para disputar outra competição com tranquilidade. Tem a vantagem de ter 16 times, portanto, menos jogos.



Não tem que se dividir entre vários Campeonatos como, por exemplo, o Corinthians que é obrigado a jogar todas com a mesma intensidade. Ramirez ganhou bem do Corinthians o primeiro jogo da semifinal da Sul-Americana e administrou a volta em casa. Tudo certo, mas não é gênio. Ah, ele é espanhol da Escola do Barcelona. Pois é, e não ficou lá.



Aliás, o técnico do Barcelona, da Espanha, o senhor Valverde, não é considerado técnico dos sonhos dos catalães. Ele vai tocando e vai ganhar títulos, mas é médio perante os demais do outro lado do Mundo. Jorge Jesus mostra muito mais qualidade que ele, mas nunca teve a chance de comandar um Barcelona na vida. Talvez agora possa ter. Ou seja, não importa a nacionalidade, importa mesmo é a capacidade. Não adianta comprar um Lada só para dizer que tem carro importado. Isso é bobagem e até desperdício.