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Eleição no Palmeiras e a questão ética

Dentro de campo o Palmeiras, merecidamente, está próximo de concretizar a conquista de mais um título brasileiro. Fora de campo, as velhas rusgas permanecem e muitas coisas fogem à lógica. É preciso separar as coisas. O bom trabalho dentro de campo é uma coisa. Os bastidores do clube, outra completamente diferente. O clube mudou. Recebeu aporte financeiro de um presidente, teve estádio reconstruído e um patrocinador importante. Subiu de patamar e não pode ressuscitar velhas manias. Li a carta de Paulo Nobre, ex-presidente do clube, endereçada aos associados. Ela tem fatos que merecem ser esclarecidos. Pena que a manifestação tardia do ex-presidente ocorra na véspera da eleição. Mesmo com educadas palavras, fica com cara de campanha política. Afastar-se do cenário político após ser presidente é uma decisão pessoal e até acho válida. Sumir e voltar encima da eleição, me parece oportunista. Mesmo assim, Paulo Nobre fala verdades. É suspeita a carta de Mustafá Contursi para a patrocinadora e todo o processo para dar condições para ela concorrer à presidência. Dona Leila comprou título em 2015, não compraria título se fosse sócia desde 1996, agraciada por Mustafá. Só essa lógica já deixa obscura a situação. É inegável que Paulo Nobre utilizou seus recursos financeiros para ajudar o clube. Também teve muita polêmica sobre o retorno desse favor, mas não lembro de uma pressão do tipo, se não fizer do meu jeito, tiro o dinheiro e saio do clube. Acho que o patrocínio de um clube é um negócio para as duas partes. Ambos se beneficiam. O patrocinador ter interferência na gestão do clube, não me agrada. Ter interesses políticos no clube, então, me constrange. Deixa de ser um patrocínio e passa a ser uma “compra”. Que me perdoem os mais exaltados, mas o Palmeiras é maior do que qualquer patrocinador. Está invertida a equação. O patrocinador deve ter interesse em juntar sua marca ao clube e não o clube em entregar sua marca ao patrocinador. Nesse aspecto, acho a postura de algumas pessoas da oposição, bem razoável. Por ética, a candidata Leila não poderia ser patrocinadora, deveria se sentir constrangida. É licito o desejo dela de ser presidente. Desejo até boa sorte, mas gostaria de vê-la na disputa como palmeirense. Não como compradora do clube. Sem interferência política ou financeira. Nesse ponto concordo, há um conflito de interesses que merece ser muito bem esclarecido. Faltou ética e postura para atingir o objetivo, imaginem o que poderá fazer depois de atingir o poder. Acorda Palmeiras….

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