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Edson Cegonha, Paraná e Toninho Guerreiro derrubaram Telê, mas Marcos Paulo não pode derrubar Ceni


Quase Marcos Paulo derruba o técnico Rogério Ceni no São Paulo. Só não caiu porque é ídolo como jogador, se fosse outro já estaria na rua. Como é que pode um reserva como Marcos Paulo derrubar um treinador? Até nesse quesito é preciso ter mais categoria e respeito dos demais para fazê-lo. Já imaginaram a manchete? Marcos Paulo derruba Rogério Ceni. Seria uma nódoa na carreira do jovem treinador.



Talvez Rogério tenha mesmo exagerado na cobrança pública ao jogador por sua burrice ao curtir Rede Social. Devia saber que tudo o que se posta, ou se curte, todo mundo pode ver. A Internet acabou com a conversa privada dos amigos. Embora ela reúna mais pessoas do Mundo todo, a chamada globalização, também afasta muita gente por comentários que não são bem aceitos ou feitos com maldade mesmo. Antes você fazia confidências aos amigos, a esposa, a namorada, ao companheiro de trabalho, hoje as pessoas querem fazer suas confidências para o Mundo e depois não suportam as consequências. Tem gente que vive disso.



Por mais que Rogério Ceni tenha razão e por mais que Marcos Paulo não possa ser exposto publicamente e nem ao grupo numa chamada de atenção, não se justifica tirar o técnico. Talvez Rogério devesse chamar o jogador na sua sala, mas também pode ter tentado dar um aviso aos demais. Rogério, que não gosta de Emerson Leão como técnico, tem muito do próprio Leão. É disciplinador e não gosta de frescura e no Mundo de hoje tem melindre demais por qualquer coisa.



Leão costumava antecipar o treino em 15 minutos se alguém chegasse atrasado. Todos pagavam a conta e ele apontava para o atrasadinho: "A culpa é dele. Falem com ele". Há uma história, no Santos, com Viola. O ex-corintiano só de sacanagem com os companheiros chegava na hora, mas não entrava no CT, ficava dentro do carro esperando o prazo estourar. Quando Leão avisava que por causa do seu atraso o treino na manhã seguinte seria 15 minutos mais cedo, Viola ria e gozava os companheiros. Até que Zeti e os demais conversaram com ele e pediram para maneirar. Já não tinha mais graça e em pouco tempo iriam treinar às 5 da manhã.



Em 1973, Telê Santana, então começando sua carreira de técnico, foi contratado pelo São Paulo. Chegou num elenco de feras e que já tinha problemas de relacionamento. Os jogadores não aceitavam a chegada do gringo Pedro Rocha, que veio com fama de um dos melhores do Mundo e ficou com a camisa 10, que Gerson tinha deixado vaga quando foi para o Fluminense. Aliás, Gerson e Rocha tiveram problemas. O brasileiro dizia: "Esse gringo não vai se criar aqui", mas se criou e virou campeão. Só tinha cobra criada no elenco. Telê bateu de frente e caiu 6 meses depois.



Pedro Rocha, que era um gentleman, me contou uma vez que Telê num dos treinos desafiou os jogadores: "Esses chutinhos de vocês não fazem mal a ninguém. Por isso que não fazem gol. Eu tiro todos eles de cabeça.". Os jogadores levaram a sério e desafiaram Telê a ir para o gol. Sem alternativa, ele foi. Só podia tirar de cabeça. Os caras davam cada pancada na bola na direção do técnico e ele tirando de cabeça a maioria, mas com a testa cada vez mais vermelha e cada vez mais tonto. Quando parecia que ia desfalecer, Rocha interveio: "Vocês estão loucos. Querem matar o técnico?".



Edson Cegonha, Toninho Guerreiro e Paraná foram os principais mentores da queda de Telê Santana. Aliás, Paraná faz questão de dizer que derrubou sozinho Telê, não precisou de ajuda. Mas não foi bem assim. Havia mais gente nessa conjuração paulista que "cortou" a cabeça do mineiro Telê Santana. Mas ser derrubado por esses até que tudo bem, é currículo, mas por um jogadorzinho como o Marcos Paulo, aí não dá. É demais. Até nisso o São Paulo se apequenou.



Anos mais tarde, como todos sabem, Telê Santana voltou ao São Paulo para ser o técnico mais vitorioso da história do clube. Eram outros tempos e Telê também já estava muito mais rodado e machucado por derrotas nas Copas e também em várias finais que tinha perdido. O São Paulo foi a sua redenção, mas o Tricolor também lhe deve muito pelo trabalho prestado.







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