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DISCURSO ULTRAPASSADO


O Grêmio perdeu para o Atlético MG em Belo Horizonte, 3 a 1. Não foi um desastre, o time da casa era favorito. Renato Portaluppi ( Foto – Divulgação ), técnico-ídolo do Grêmio, reconheceu mérito do adversário e revirou o baú do tempo para dar a sua justificativa pelo resultado. As desculpas do século passado não devem servir de “muletas” para um treinador com potencial, que muitas vezes comete erros de avaliação.


Jogar responsabilidade nas costas de adversários para tirar pressão é coisa muito antiga. O Grêmio disputa três competições simultâneas porque foi melhor do que o Atlético MG na temporada passada. Não é punição, é sinal de competência. O Atlético MG adoraria estar nessa situação. Dizer que o rival joga menos, tem tempo para preparação, menos desgaste e obrigação de brigar por títulos é esconder a verdade. Fosse assim, o Jabaquara era campeão do mundo.

Hoje existe um verdadeiro exército de profissionais à disposição da comissão técnica.

Fisiologista, fisioterapeuta, nutricionista, preparador físico com vários auxiliares, banheiras, equipamentos, tudo para trabalhar desgaste e prevenir problemas. Jogar culpa em excesso de jogos é jogar no lixo um arsenal de soluções. É tirar o peso das costas de escolhas erradas ou planejamento. Assim, fica fácil até perder, a culpa nunca é sua.


O Grêmio não fez uma partida ruim contra o Atlético MG. Errou na estratégia. Deu campo para o adversário no início do jogo. Ficou encolhido atrás da bola e esperando um contra-ataque que não saiu. Quando adiantou o meio de campo, criou oportunidades e até equilibrou o jogo. Renato preservou titulares contra o líder da competição. Verdade que a Libertadores, até por causa dos Grenais continentais tem peso e o time tem jogadores com idade avançada. Quando o treinador escolhe prioridades, tem que assumir o risco. Não dá para usar discurso ultrapassado na derrota.