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DIA EM QUE O DIABO FOI EXORCIZADO NO MORUMBI


O mundo, que é uma bola, continua parado, mas com algumas aberturas. Até quando, só Deus sabe. Aqui em São Paulo, o Paulistão só irá recomeçar no final de julho. Assim, confinado, e saudade de ver a bola rolar, sigo lembrando coisas que vi nos meus 61 anos de jornalismo.

O grande amigo e extraordinário treinador, Rubens Minelli, era técnico do São Paulo. À época as coisas não estavam boas no tricolor - era aquela fase do pão do pobre que cai no chão sempre com a manteiga virada pra baixo.

Lembro que, era uma segunda-feira, dia livre no futebol. Fui ao Morumbi entrevistar o Gino Orlando , ex jogador, grande goleador, meu amigo, já na fase em que se tornou Prefeito do Morumbi – era o administrador do Estádio Cícero Pompeu de Toledo.

A entrevista seria sobre a preparação do estádio para um clássico Palmeiras e Corinthians que aconteceria no final daquela semana. Gino mostrou os números de funcionários, a preparação para o jogo, o pós- jogo e os problemas de limpeza, estragos, prejuízos, etc. Após a entrevista, fui para a sala de imprensa passar pela linha a reportagem gravada para a rádio (Tupi – Equipe 1040). Terminei o trabalho e no saguão já para ir embora, começo a ouvir uma ladainha que vinha de dentro do vestiário principal, o do São Paulo. O dia era de folga dos atletas. Era uma reza esquisita com uma voz dizendo:

“TE ESCONJURO, SAÍ SATANÁS , VADE IN RETRO , SAI DESTE LUGAR, TE ESCONJURO ...” e mais outras palavras em latim.

Nas portas do vestiário, existe até hoje, uma janelinha, coisa de uns 8 cms. de altura por uns 12 de largura, de correr, para verificar quem está batendo na porta.

Sozinho no saguão, empurrei o visor olhei e vi lá dentro o Monsenhor Bastos, que foi até vice-presidente do São Paulo (era o pároco da Igreja da Consolação), dizendo aquelas palavras e balançando um turíbulo com incenso exorcizando o Diabo.

Através dessa abertura, gravador ligado, gravar tudo. Saí rápido e me mandei para a Rádio, vibrando com o flagrante.

Na Tupi, com a equipe da técnica que era comandada pelo saudoso Arnaldo Gaeta, o som estava perfeito e até ótimo porque o vestiário vazio funcionava como uma câmara de som que realçava ainda mais a sonoridade da gravação.

No programa de Esportes da noite, colocamos no ar e foi um sucesso, fora a gozação.

Dois ou três dias depois voltei ao Morumbi e o Gino, quando me viu, rindo, me disse: “Pôrra, você é f..., como é que conseguiu esse negócio? Levei uma baita comida dos caras.”

Depois o Minelli, sempre gozador, cruzou comigo, rindo também, me falou: “Choveu na sua horta, né? Foi um rebu...” E ele completou “você fez a sua parte. Os caras chiaram muito ...”

Vida de repórter é assim: a bola pingou na área tem de entrar com bola e tudo pra dentro do gol. É a sorte de estar no lugar certo, na hora certa e não desperdiçar.

Tenho muitas coisas para contar. Até a próxima edição.

FIQUEM EM CASA!!!

UM ABRAÇO.