• Futebol em Rede

DESABAFO DO COADJUVANTE


O “desabafo” de Daniel Alves ( Foto/crédito – Lucas Figueiredo/CBF) após a conquista da medalha olímpica no futebol foi fora de proporção. Sim, o São Paulo nunca disse o contrário, deve ao jogador. Procurei e não encontrei nenhuma declaração oficial insinuando que o atleta abandonou o clube. Pelo contrário, o São Paulo afirmou que respeitou o desejo do atleta em disputar os Jogos Olímpicos pela seleção brasileira e mesmo podendo, não é obrigatório liberar o atleta, não criou problemas.


O torcedor sim, questionou o clube e a atitude do jogador. Afinal de contas, se medalha olímpica era importante para o atleta, as competições que o São Paulo disputa e até o risco de um rebaixamento no Brasileiro, tem proporção muito maiores para a torcida e para o clube. Para os torcedores, Sr. Daniel Alves, o São Paulo é mais importante que as conquistas individuais de qualquer atleta. Essa é a lógica do torcedor e do futebol, esporte coletivo.


O senhor pode pendurar no pescoço, com orgulho a sua medalha. Pode fazer um quadro enorme com seus mais de quarenta títulos na carreira e orgulhar-se de ser um vencedor. Teve méritos, no entanto, nunca ganhou SOZINHO. Futebol é esporte coletivo. Lembre-se do esforço de outros jogadores em cada conquista do seu maravilhoso curriculum. Um pouco de humildade faz bem até para grandes personagens. Agradeça sempre. Afinal de contas, em muitos dos seus títulos, o protagonista foi outro. Você um eficiente coadjuvante.


No Bahia, no Sevilla, no Barcelona, na Juventus e no Paris Saint Germain, você foi uma peça da engrenagem. A história de todos esses clubes é muito maior do que a sua. Você foi uma pequenina engrenagem da história desses clubes. Seu mundo é menor do que você imagina. Você pode ter até mais títulos como coadjuvante do que Messi como protagonista. Porém, o futebol sabe a diferença entre protagonista e coadjuvante.


Exagero seu a afirmação de que você tirou o São Paulo da fila. Você atuou nove vezes e fez um gol. Participou de uma parte dos dois jogos finais contra o Palmeiras. Treze atletas jogaram mais do que você. Injusto com seus companheiros. Note, você mais uma vez foi coadjuvante nessa conquista. Muitos deles, que atuaram mais do que você, também sofreram atrasos financeiros.


O São Paulo erra feio em não cumprir contrato. Afinal de contas você não joga futebol para se divertir, é sua profissão e seu ganha pão. Ao contratá-lo, o clube deveria saber das suas prioridades. Deveria saber que você não queria ser uma peça no time. Desperdício, você veio em busca de um protagonismo que até hoje não conquistou. Pouco importa, isso não te tira o direito de cobrar o que lhe é devido financeiramente.


Você pode olhar para a parede, contar seus títulos e ter orgulho deles. Tenha certeza de uma coisa, o mundo é muito maior do que a sua parede. O São Paulo está errado, mas não é refém dos seus projetos pessoais. Ao desabafar, fora de proporção, você também erra. Não fosse o São Paulo, aos 38 anos, talvez você não tivesse o orgulho de colocar a medalha olímpica no peito. O clube precisa apreender a cumprir, custe o que custar, com suas obrigações. Nunca pagar salários de protagonista para coadjuvantes. Mesmo que seja o melhor coadjuvante do futebol.