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DÊ OLHO NA GALINHA DO VIZINHO


A “criatividade” sempre entra em campo quando as contas não batem no futebol brasileiro. De tempos em tempos surge uma “solução espetacular” capaz de transformar má gestão em prosperidade. Já tentaram de tudo. Venda de patrocínio na camisa, direitos televisivos, publicidade ao redor do campo, nas Redes Sociais, vaquinhas virtuais, sócios-torcedores e muito mais. O que importa é ver entrar dinheiro e para piorar, que entre mais no meu clube do que no seu. A inspiração do momento é vender o futebol do clube ou traduzindo arrumar um mecenas com muito dinheiro e que mande pouco.


Sociedade Anônima do Futebol foi a saída jurídica para a entrada oficial de dinheiro nos clubes endividados. A ideia é vender o futebol do clube, não para anônimos como o termo indica, mas para um mecenas que assuma solidariamente as dívidas do passado, injete recursos no negócio falido e administre, sempre que possível com mais dinheiro, o negócio deficitário chamado futebol. Na prática o mecenas fica com 90% do futebol e o clube observa a entrada de dinheiro com os 10 % restantes.


Os defensores da “criativa solução” indicam regras. Lógico que para apagar o passado catastrófico da gestão. Parte do investimento, 20 % da receita é para pagar dívidas anteriores. O lucro também foi taxado, 50 %, terá que ser utilizado para limpar o passado. O governo lucra com a ideia. Antes os clubes eram entidades sem fins lucrativos e tinham algumas isenções de impostos. No novo modelo, vai ter imposto de 4% na receita bruta sem contar negociações de atletas e depois 5% na receita bruta com negociações de atletas incluídas.


O mecenato no futebol do Brasil existe faz tempo e nunca foi solução definitiva para os problemas. No Rio de Janeiro, Castor de Andrade, famoso empresário zoológico bancou o Bangu até enjoar. O Botafogo que agora é SAF, já teve um colegiado de empresários zoológicos. Em São Paulo, o São Caetano teve o dono de uma importante loja varejista como mecenas. Teve clube que se associou com investidores internacionais, lembrem do senhor Kia e da MSI/Corinthians. Reparem, nenhum sucesso eterno ou revolucionário.


Os espertos dirão que os exemplos internacionais são relevantes. O Chelsea, Manchester City, PSG, Internazionale, Milan, Newcastle o novo rico e muitos outros deram certo. Primeiro o futebol nesses países não é estruturalmente deficitário como o nosso. Segundo: muitos desses aportes foram feitos por pessoas ou até países, que buscam basicamente prestígio ou cair nas graças do publico para abafar atividades suspeitas de várias espécies. Não tem nada com gestão, lucratividade e amor ao esporte.


Sei que para muitos, os ovos da galinha do vizinho são sempre mais bonitos. A galinha do outro lado não é subnutrida e má cuidada. Que tal engordar nossa galinha e tratá-la para uma produção mais eficiente do que pintar nossos ovos com as cores iguais aos ovos do vizinho? A solução é dar vida ao nosso galinheiro. Fazer do futebol brasileiro uma cooperativa, uma LIGA como tantas outras no mundo. É o caminho mais indicado e o mais difícil também para o perfil brasileiro.


Aqui cada galinha se acha melhor do que a outra no mesmo galinheiro. Não importa a produção numa competição. Importa é o tamanho do potencial da minha galinha. Nada de somar para dividir, o ideal brasileiro é dividir para somar. A tal filosofia de levar vantagem em tudo. É sempre mais fácil encontrar alguém que compre um bilhão de dívida por 400 milhões de investimento como no Cruzeiro. Dá que dá certo, milagres acontecem.