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CUCA E SEUS BLOQUEIOS


Foi a melhor temporada da carreira do técnico Alexi Stival, o Cuca (Foto - @Atletico ). Ganhou o Brasileiro pelo Atlético MG após 50 anos de espera, conquistou a Copa do Brasil, foi campeão mineiro e só não levou a Libertadores. As conquistas transformaram Cuca, com louvor, no melhor treinador da história do Galo e de quebra, colocou o nome dele com destaque para eventualmente suceder a Tite na seleção brasileira. Tudo seria maravilhoso, não fossem os eternos bloqueios que ele cultiva.


Um dos problemas do treinador é a insegurança. Muitas vezes travestida de superstições. Todos conhecem as lendas. Ônibus não pode entrar de ré no estádio, os copos de água colocados no gramado que não devem ser mexidos, a calça roxa no Palmeiras, a camisa de Nossa Senhora no Galo e muitas outras manias. Cuca afirma que ri de todas essas superstições, mas já ficou marcado por elas na carreira. Virou um bloqueio para muita gente.


Ao declinar do contrato com o Atlético MG, alegando motivos pessoas e familiares, Cuca criou dois bloqueios. O primeiro a questão da saúde. O treinador teve problemas de saúde no Santos, deixou o clube por esse motivo na primeira passagem. Nunca ficou claro se existe limitação para exercer a função por longos períodos ou se há um medo natural de extrapolar limites em função da saúde. A pandemia levou Dona Nilde para a UTI, mãe do treinador, tudo superado, mas as ligações familiares em relação ao tema saúde atormentam o treinador.


Para piorar, Cuca criou outro motivo de resistência. Não consegue ficar longos períodos no mesmo clube. Termina um bom trabalho dizendo adeus. Até parece influência da famosa superstição. O êxito impede a permanência e logo aparece o medo de memória curta de clube e torcida. Verdade que algumas vezes a saída do clube aconteceu com problemas de relacionamento com elenco (Palmeiras) e direção nova do clube (Santos). O fato de não fazer trabalhos de longa duração, já virou uma “verdade” aliada ao seu nome.


Considero Cuca e seu irmão de excêntrico bigode, competentes. Porém, não tem lógica abandonar o Atlético MG, com elenco forte e vencedor, antes de uma Libertadores onde entra como um dos favoritos e com um ano de contrato pela frente. Muito menos prometer não trabalhar em clubes brasileiros em 2022 e ao mesmo tempo estar inscrito para o curso da CBF para licença PRO e poder trabalhar no exterior. Quero estar enganado, mas tem jeito de insegurança ou superstição. Um tremendo bloqueio para quem seria candidato a um período de quatro anos com a seleção brasileira visando um ciclo de Copa do Mundo.