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COVID expõe o elitismo do popular futebol

COVID expõe o elitismo do popular futebol. Há argumentos bons e maus de todos os lados. A verdade é que o futebol precisa se engajar mais nos anseios e nas necessidades da sociedade. Ele se posiciona como se fosse uma bolha à parte. É antipático quando não dá importância às inúmeras vítimas do Covid e tenta passar a imagem que estar em campo ajuda as pessoas a apaziguar suas almas. Mentira deslavada. Está apenas pensando nos seus próprios interesses.



O futebol é popular por causa dos seus torcedores, aquele ser humano que chora por seu time e que gasta economias que às vezes não tem para ver seu time em campo. Que vibra com suas vitórias e chora com suas derrotas. Que defende jogadores milionários como se fossem integrantes de sua família. Apenas assim é popular, é de massa. Parou aí.



Mas no fundo das suas administrações, o futebol é retrógrado, é elitista e como toda boa elite tenta se vender como algo necessário para a plebe. Tenta convencer que é bom estar em evidência para que você fique mais feliz. É o pão e circo, mas ultimamente só tem havido mais circo que pão. Os jogos são ruins, mas os contratos publicitários falam mais alto e atropelam um calendário já atropelado pela Pandemia. Aliás, que calendário?: Não temos mais calendário, temos dias de angustia e agonia esperando sobreviver para tudo isso passar.



E daí que o Campeonato Paulista não termine dia 23 de maio? Grande coisa? O calendário do futebol já foi solapado desde o ano passado. Essa tese já caiu por terra junto com mais de 270 mil mortos de Covid e ainda contando. Mas nem isso mexe com os dirigentes que se reúnem de preferência à distância, por vídeo conferência, com medo da infecção, mas continuam propagandeando que o ideal é ter jogos porque o protocolo é seguro. Se é tão seguro o que estão fazendo então em suas casas? A reunião deveria ser presencial.



A Federação Paulista de Futebol, assim como CBF e outras entidades, perdem a chance de se engajar na luta contra o Covid. Era hora do senhor Reinaldo Carneiro Bastos vir a público e dizer algo assim: "Diante do quadro cada vez mais grave da Pandemia, o futebol também dará sua colaboração para mobilizar as pessoas a ficarem em casa. São só 15 dias para que caia o nível de transmissão do vírus e que as UTIs possam se esvaziar um pouco mais. Contamos com a ajuda e a compreensão dos torcedores. O isolamento é um mal necessário. Em duas semanas reavaliaremos a situação junto com os representantes sanitários, governos e cientistas para saber qual será o próximo passo. Agora o que vale é o Campeonato da vida. Cuidem-se para poder cuidar dos mais próximos. Boa sorte a todos nós". Mas é preciso ter grandeza e espírito público para fazer isso. Quem sabe?