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Corinthians de Luxemburgo. Cada gol uma galinha D'angola

Corinthians de Luxemburgo. Cada gol uma galinha D'Angola. O futebol é cheio de manhas, malandragens e superstições. É uma melhor que a outra e há sempre quem acredite. Tem técnico que faz contrato com Pai, ou Mãe de Santo. Afinal todo mundo tem mãe, até o Santo. Outros jogam sal grosso nos vestiários, nas traves, sacrificam galinhas e outros bichos em nome de uma suposta vitória, que às vezes até acontece. Mas Pai de Santo bom recebe na frente, se não der certo ele diz que o feitiço contrário foi mais forte ou você fez tudo errado.



Depois de ser campeão brasileiro pelo Corinthians, em 1998, Vanderlei Luxemburgo foi para a Seleção Brasileira, mas caiu antes da Copa de 2002, na Ásia. Em 2001 voltou ao Corinthians para ser campeão paulista. Era época da Hicks Muse, empresa americana parceira do clube. O vice-presidente de futebol era Antonio Roque Citadini.



Vanderlei pediu a contratação de sua irmã, que era Mãe de Santo, para ajudar na campanha. Preço: R$ 15.000,00 mês. Citadini apresentou a nota para Dick Low, diretor da Hicks, e o americano não queria saber de conversa: "Como vou apresentar isso para os meus superiores nos Estados Unidos? Eles não vão pagar Mãe de Santo nenhuma". Aí, Citadini teve uma grande sacada : "Para com isso Dick. Você vem de um país que não tem décimo terceiro andar porque acha que dá azar e não quer pagar a Mãe de Santo do Luxemburgo? Vocês tem suas superstições e nós temos as nossas". Com esse argumento a Hicks capitulou e pagou.



O problema/solução é que a Mãe de Santo pediu que a cada gol marcado o Corinthians tinha que arranjar/comprar uma Galinha D'Angola. Não podia ser uma galinha qualquer, tinha que ser essa. Conclusão: O Corinthians goleava todo mundo e o espaço atrás do Parque São Jorge virou um galinheiro a céu aberto.



Conta a história e diz a lenda que havia até segurança para impedir que alguma galinha fugisse. Podia dar azar, não é? A mesma história e a mesma lenda dizem que um dia duas escaparam para Marginal e o grande Pedrão, já falecido, por isso não pode contestar o caso, correu para o meio dos carros e parou o trânsito para recuperar as penosas fugitivas. Vai que são atropeladas? Já imaginaram o que poderia acontecer com o time?



Luxemburgo acabou demitido após o Campeonato, mas as Galinhas continuaram por lá por um bom tempo. Era comum a gente entrar pelo portão da imprensa lá do fundo e desviar das bichinhas que estavam ciscando e cacarejando Tô Fraco, Tô fraco, ou coisa que o valha.



Dizem que com a saída do treinador alguns funcionários do Corinthians, entre eles o Pedrão, olha ele aí de novo, acharam que podiam dar um destino gastronômico às Galinhas. Luxemburgo já tinha saído mesmo e a Mãe de Santo nem ficaria sabendo, não é?



Mas quando foram falar com Citadini ouviram um sonoro NÃO: "Deixa as galinhas aí, deixa morrer no tempo, vai que tem alguma coisa mesmo. Não mexe com isso. Pode se virar contra a gente". Demorou um tempão para acabar. Alguma deve ter ido para a panela sem o Citadini saber.



Contei da forma que me contaram. Quem conta um conto aumenta um ponto. Mas só sei que é baseado em fato real. Vai uma canja, aí?