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Carille e a ética do futebol

Fábio Carille acertou sua volta ao Corinthians ganhando mais do que quando saiu e o clube que não quis segura-lo no meio do ano agora vai pagar uma multa para tê-lo de volta. Administrativamente nota zero para Andrés Sanchez, que nunca gostou de Carille, e agora é obrigado a engoli-lo para aplacar a ira da torcida e críticas à performance do time no Brasileiro.

Carille acertou a volta enquanto Jair Ventura ainda estava pendurado no cargo. Se Jair foi mal ou bem é outra situação, mas o que se discute é a ética entre os treinadores. É um querendo comer o outro. O próprio Jair fez o mesmo com Osmar Loss, que estava no cargo quando ele acertou com o clube. E isso ocorre em todos os clubes, e eu diria em todas as empresas ditas capitalistas, ou que na verdade vivem para ganhar e gastar dinheiro. É o mundo que criaram para nós.

Aconteceu com Jair quando Cuca acertou com o Santos, com Roger Machado quando Felipão voltou ao Palmeiras, com Dorival Júnior quando Aguirre assumiu o São Paulo, com Dunga quando Tite assumiu a Seleção, com Barbieri quando Dorival foi para o Flamengo e assim por diante. Não tem anjo nessa historia. Nem de um lado, nem de outro.

Quando uma empresa tem interesse num profissional ela não liga para a outra empresa pedindo licença para contrata-lo. Ela liga para o profissional até para sonda-lo e saber se o trabalho a ser oferecido interessa. A ética tem que partir de quem recebe a proposta. Esse tem que informar ao seu patrão e cuidar do seu futuro da melhor maneira que lhe interessar. É a roda viva do Mundo e no futebol isso fica mais exacerbado e cruel.

Os técnicos reclamam muito da falta de retaguarda, mas eles adoram essa vida. Sabem que estão sempre rodando e ganhando às vezes muito mais, principalmente como Carille que fez história no Corinthians e quando isso acontece o sujeito parece infalível e é sempre lembrado como salvação da lavoura, mesmo quando o presidente não gosta tanto dele.

Até porque quando se contrata um técnico, os dirigentes sabem que por um tempo o foco muda e eles escapam das pressões. Se der certo, como Felipão deu no Palmeiras, os dirigentes também são ovacionados como geniais e colhem frutos do time vencedor.

Portanto, o futebol não liga muito para esse tipo de ética. Vale o negócio e a oportunidade profissional. Não sejamos tão moralistas ou tão ingênuos. Em toda profissão é igual. Até mesmo no jornalismo onde vários colegas fingem ficar escandalizados com essa questão. São os mesmos que quando recebem uma proposta não perguntam se estão sendo contratados para o lugar de alguém que está sendo demitido. A roda da Vida continua girando. Vai por mim, é assim mesmo.

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