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Capítulo 6: 2006, a Copa sem volta e o atacante barrigudo da Seleção


É ano de Copa e então vou escrevendo algumas histórias sobre nossa cobertura na Alemanha-2006. Já teve o primeiro capítulo com as "trapalhadas" na ida, o segundo com a caça a Bilardo, técnico campeão do Mundo pela Argentina, em 1986, que fugia da gente como o diabo da cruz porque o seu cachê sumiu na mão de alguém do seu staff. Ele achava que o calote era da gente. mas não era. Você também ficou sabendo como foi conviver com a morte do humorista Bussunda em plena Copa do Mundo. Teve a engraçada história da flatulência que quase acabou em detenção no Supermercado e no último o caso do Lobo no Hotel. Até novembro outras Copas também entrarão no nosso Radar e continuo desfiando histórias por aqui. Tudo baseado em fatos reais.



Em 2006, o Brasil chegou a Copa depois de fazer uma grande exibição na falecida Copa das Confederações um ano antes. Hoje tenho quase certeza que o time chegou no ponto antes da competição e caiu quando precisava. Dormiu nos louros da vitória e na confiança exagerada, na Alemanha. Sem falar na confusão criada pela CBF com a venda de treinamentos em Weggis, na Suiça, o que acabou com o sossego do time e aumentou a vaidade de alguns jogadores tidos como astros imbatíveis.



Na Copa das Confederações, o Brasil atropelou com Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Adriano. Eles deviam ser a sensação da Copa, mas foram engolidos por um ambiente festivo demais e de irresponsabilidade de alguns jogadores que se apresentaram muito mal fisicamente. Ronaldo Fenômeno não esteve nesse torneio, mas foi à Copa.



Quando se perguntava qual era o grande favorito para ganhar a Copa, além da Alemanha, o time de casa, logo diziam: Brasil, é claro. Ficou na memória a boa exibição de um ano antes, mas não se sabia que o time tinha problemas internos e físicos. Carlos Alberto Parreira e Moraci Santana tentavam contornar a situação buscando alternativas, mas é difícil quando alguns se acham craques intocáveis ou tem outros problemas.



Ronaldo se apresentou muitos quilos acima do peso ideal e como não conseguia correr direito jogou a bomba pra cima de Moraci, que rapidamente se defendeu numa boa entrevista na Jovem Pan e colocou a coisa no seu devido lugar, mas não falou tudo. Só citou que Ronaldo estava bem acima do peso. Se apresentou assim. A informação na época é que estava 11 quilos acima. Conclusão: Tivemos numa Copa o centro-avante genial mais barrigudo da história. Talvez só comparável a Coutinho, já no seu final de carreira no Santos. Mesmo assim fez gols, mas mobilidade zero e o comentário dos jornalistas do Mundo todo era intenso. "Nunca vimos Ronaldo tão fora de forma". E era verdade.



Há pouco tempo, eu e Fábio Serodio, entrevistamos Moraci Santana, no programa "FUTEBOL EM REDE ENTREVISTA"- Está lá à sua disposição nesse link: (https://youtu.be/QxNBgOSRbz0) e ele afirmou que se fosse levar ao pé da letra o que mandava o manual da preparação física haviam 7 acima do peso na Seleção, o que é uma irresponsabilidade dos jogadores. Se você sabe que vai disputar a Competição mais importante do futebol mundial devia se cuidar um pouco mais.



Talvez o único que pudesse ser absolvido era Adriano, que vivia uma crise existencial desde a morte do seu pai, em 2004. Ele não se conformava e sofria demais e parou de se preocupar com o futebol. Na verdade, até o fim da carreira vivia desse jeito com altos e baixos e se desviava para outros caminhos para buscar consolo para seu sofrimento. Uma pena. Era para jogar em alto nível pelo menos mais duas Copas. Acabou antes do previsto.



Moraci contornou a situação tentando melhorar o desempenho desses jogadores, mas não foi o suficiente e naquela altura não dava para mandar 7 de volta pra casa. Era muito em cima da Copa. Seria um desastre, eram jogadores de alto nível, importantes, e que podiam fazer a diferença mesmo sem suas melhores condições. Se fosse no mínimo uns três meses antes da Copa talvez houvesse mudança na convocação. Faltou informação correta dos jogadores para a Comissão Técnica. Acho também que ninguém diria para o treinador: "Olha, não me convoca, não. Estou muito mal".



Só vi um fazer isso. Zico, às vésperas da Copa de 86, depois de tentar recuperar o seu joelho com fisioterapia de manhã, à tarde e à noite, disse a Telê Santana que era melhor esquece-lo para a Copa: "Telê, não vai dar. Leva outro" ao que o técnico respondeu: "Você vai, eu assumo o risco" e foi e não conseguiu jogar seu extraordinário futebol. Zico tinha razão. Telê tinha esperança. A razão ganhou.



EM TEMPO: Antes que algum amigo me interdite continuo contando minhas histórias por aqui. Sempre baseado em fatos reais. Na próxima, no último capítulo, vou explicar porque chamo a Copa de 2006, de a Copa sem volta. Vocês vão saber. Até lá.









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