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Capítulo 5: 2006, a Copa sem volta e o Lobo no Hotel.


É ano de Copa e então vou escrevendo algumas histórias sobre nossa cobertura na Alemanha-2006. Já teve o primeiro capítulo com as "trapalhadas" na ida e o segundo com a caça a Bilardo, técnico campeão do Mundo pela Argentina, em 1986, que fugia da gente como o diabo da cruz porque o seu cachê sumiu na mão de alguém do seu staff. Ele achava que o calote era da gente. mas não era. Você também ficou sabendo como foi conviver com a morte do humorista Bussunda em plena Copa do Mundo. No último capítulo teve a engraçada história da flatulência que quase acabou em detenção no Supermercado. Até novembro outras Copas também entrarão no nosso Radar e continuo desfiando histórias por aqui. Tudo baseado em fatos reais.



Quem vai à Copa vê menos da Copa do que se pensa. Essa é uma máxima dentre aqueles que participam das transmissões do Torneio. Você cobre os jogos para os quais está escalado, checa informações de todos os lados, mas perde coisas na sequência das disputas. Pode recuperar algo ali ou aqui, mas nem sempre tem tempo para isso até porque ninguém fica 24 horas ligado embora pareça que é assim. Hoje com a Internet ficou mais fácil. As informações e imagens se espalham rapidamente.



Mesmo assim quem está escalado para cobrir a Seleção Brasileira foca o seu trabalho ali e no máximo nos adversários do Brasil. Normalmente tem que buscar informações dos treinos, tem viagem para acompanhar os jogos, tem transmissão e tem que descansar, dormir e comer um pouco, não é? É adrenalina lá em cima o tempo todo. Em época de Copa enquanto o Brasil está na disputa é pé embaixo o tempo todo com boletins o dia inteiro e programas ao vivo falando da Seleção. Se o Brasil deixa a Copa eliminado prematuramente a cobertura fica esvaziada, continua sendo importante, mas a loucura cai pela metade e uma parte da equipe começa a pensar em voltar para casa rapidinho. Por saudade ou por enfado esportivo.



No começo dos trabalhos, em Munique, todo mundo estava a mil e quando a noite chegava a volta para o hotel era como voltar para o céu. Ficávamos a uma certa distância do Centro de Imprensa e aprendemos a ir e vir rapidinho com o Nilson César, o nosso "cicerone" que chegou antes e já conhecia todos os caminhos da cidade. O metrô, tal qual em São Paulo, funcionava que era uma beleza. Jamais deu xabú.



O Felipe Mota esteve na Alemanha antes da Copa e organizou toda a nossa estada. Ficamos num quarto enorme eu e o Rogério Assis, o Nilson ainda estava só esperando o Flávio Prado para dividir o quarto ao lado e em outro estavam Luiz Alexandre Rodrigues, o Xoquito, e José Manoel de Barros. O Wanderley Nogueira estava com a Seleção Brasileira em outra localidade.



Depois de um desses dias fomos (eu e o Assis) para um restaurante comer algo rápido, que ninguém é de ferro, e direto para o Hotel já que o dia seguinte seria igual ou mais cansativo ainda. Lá pelo meio da noite comecei a ouvir um uivo cada vez mais alto. Será que tem um cachorro, uma cadela no cio, ou um Lobo no Hotel? Daqui a pouco o desgraçado arrebenta a porta pois parecia muito perto.



Falei: "Rogério, para de sacanagem, quero dormir, fica aí uivando como um lobo". E ele: "Não sou eu, não". Enquanto ele falava o uivo voltou. Não era ele mesmo. O que está acontecendo? Vamos ligar na recepção. Tem alguma coisa errada nesse hotel. De repente tudo ficou em silêncio e a noite caiu calma e tranquila, mas por via das dúvidas botamos nossas malas travando a porta. Vai saber, né? Não sei o tamanho do bicho. Vai que ele resolveu dormir no corredor e ficar a nossa espera. Eu, hein?



Na manhã seguinte acordamos meio desconfiados, mas nada de sobrenatural tinha acontecido mesmo. Talvez tenha sido sonho, mas dois sonharem a mesma coisa não fazia sentido. Bom, vida que segue. Fomos para o café. Lá estava o nosso pessoal e o Nilson César diz: "Dormi bem. Até sonhei que estava brincando com meu cachorro". Como é que é? Era você? Êta, cachorro bom. Acordou o hotel, na Alemanha. É mais uma história de Copa baseada em fato real. Depois conto outra antes que algum amigo me interdite.



EM TEMPO: Além de bom cara e grande narrador, o Nílson César adora cachorros e eu também. E quem ama os animais é mais humano. Tive o prazer de trabalhar com ele por anos a fio na Jovem Pan e continuamos mantendo contato até hoje. Continua narrando muito e agora vive uma nova empreitada na Internet com o seu Podcast "DE PAI PARA FILHO" no YouTube. Ele e o Fausto Favara têm entrevistados de peso toda semana. Passa lá. É muito bom iOShttps://youtu.be/9Cj9R-VOx2E Beijo no Cachorro, Nilson. Sei que você tem vários. Boa sorte, gente.