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Capítulo 1: 2006, a Copa sem volta


É ano de Copa e então vou escrever a partir desse post algumas histórias sobre a nossa cobertura na Copa da Alemanha-2006. Era Copa para ganhar e perdemos. Fomos eliminados pela nossa nova asa negra, que na verdade era azul, a França de Zidane e Companhia, que jogou de branco e acabou vice na decisão com a Itália de Marcelo Lippi, Del Piero, Totti, Canavaro, Buffon e Companhia. A cobertura foi boa, diria que normal, mas muitas coisas engraçadas aconteceram na ida até a volta.



Na ida a Jovem Pan nos embarcou num domingo no final da noite, em Guarulhos, pela falecida Varig, que estava agonizando, com destino a Milão, na Itália. De lá voaríamos num avião da Alitalia na segunda-feira para Munique. O caso é que porque a gente era muito bom, ou por "sacanagem" mesmo, nos escalaram para fazer um jogo do São Paulo, no Morumbi, às 16 horas do domingo. Estávamos no voo e no jogo eu e Rogério Assis. José Manoel de Barros de malas prontas já nos esperava na Rádio, na Avenida Paulista. Legal, né? Correria pouca é bobagem.



O embarque foi normal, mas a chegada, em Malpensa, Aeroporto de Milão, com mau tempo, foi atormentada. Sem falar que não consegui dormir porque um moleque ficou chutando meu banco a noite inteira. Era uma família árabe com burca, turbante e etc. Rogério Assis me sacaneava: "Não reclama que eles podem explodir o avião. Vai saber o que esse "terroristinha" está levando na mala". Por via das duvidas só olhei feio e como sou feio acho que eles nem notaram. A feição é a mesma.



A vingança foi no desembarque. Enquanto esperávamos o voo para Munique ficamos no primeiro andar para a chamada. Quando olhei no andar de baixo os homens da família árabe com suas roupas brancas arrastando pelo chão (o chamado Kandoora ou Kandura) entraram no banheiro. Na porta havia um aviso em italiano para não usar o local porque estava entupido. O menino "chutador de banco do avião" também estava junto



Não tive dúvida. Pedi aos amigos para olharem minha mala porque iria ao banheiro. Desci as escadas, entrei e fui apertando os botões das descargas até que uma rugiu e a coisa foi subindo. Sai rapidinho e deixei os "amigos" lá dentro. Só não apaguei a luz para perceberem na merda que estavam, mas devia. Subi e fiquei assistindo a gritaria provavelmente com xingamentos em árabe.



Os seguranças vieram correndo achando que algo de muito errado tinha acontecido e tinha mesmo. Aquela água de banheiro invadiu o chão do andar como enxurrada. E os italianos gritavam: "Chiudere l'qcqua in bagno". É nos dizíamos: "Quem fez isso? Que irresponsabilidade? kkkkkkkk E os caras saindo do banheiro chafurdando naquela coisa "cheirosa". Não sei se deu para salvar sapatos ou sandálias. Bem feito. Vai chutar o banco da sua mama. A Vendeta é um prato que se come frio, ou no caso, no café da manhã kkkkkk.



Apesar do mau tempo dormi como um anjo até Munique. Os árabes não sei. Viajar com eles não deve ter sido fácil. Para nós tudo bem mesmo com o Rogério Assis tirando várias fotos do avião que iríamos embarcar. Estava com medo que caísse. Era um Papa-Vento (Dois motores) que foi balançando mais que Pipa em rodamoinho. Ele dizia: "Se o avião cair pelo menos vão achar a máquina fotográfica e viramos notícia. Ainda era o tempo do filme de rolo. Só que o "burro" esqueceu de colocar filme. Ele sempre foi melhor narrador que fotógrafo. Como vocês já perceberam, o avião não caiu. Chegou meio de lado, mas chegou. Aí começa uma nova odisseia em solo alemão. Conto no próximo Capítulo se algum amigo não me interditar antes.