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Bolsonaro na festa do Palmeiras. Não é a primeira vez que política e futebol se misturam e nem será

Através dos tempos tem sido assim. Às vezes com maior contundência, outras vezes com menor contundência. Mas os políticos gostam de aparecer na foto do campeão. Nenhum presidente da República recebe uma Seleção eliminada da Copa do Mundo. Bolsonaro na festa do Palmeiras foi apenas mais um, e sinceramente, na minha visão, não foi tão grave assim. Ele foi convidado, tinha sido apoiado por alguns jogadores durante a campanha, por outros não, pelo menos publicamente, não, e apareceu para dar o ar da graça. O que ganhou com isso? Nada mais do que já tinha ganhado. Não precisava aparecer mais e ainda nem foi empossado como presidente. Foi como um cidadão que dentro de dias assumirá o comando do país.

Quando o presidente Lula recebeu o Corinthians campeão do Brasil eu fui criticado porque deixei uma pergunta no ar. “O presidente agora vai receber todos os campeões da Copa do Brasil ou só vale para o time que ele diz torcer?”. A resposta estava clara, mas na minha vida de repórter aprendi que às vezes a pergunta é mais importante que a resposta. É preciso fazer pensar no assunto também.

Lula foi tão parceiro que depois achou um jeito do Corinthians “ganhar” um estádio e deixou o Morumbi do “inimigo” São Paulo fora da Copa do Mundo-2014 apoiado pela ideia da Fifa de sempre construir Arenas e deixar Elefantes Brancos por onde passa. Aqui não foi diferente, mas o Estádio do Corinthians está longe de ser um Elefante Branco, afinal lá tem jogo e tem servido ao futebol, se vai ser pago ou não já é outra história.

Através do tempo os políticos sempre se aproveitaram do esporte. A extinta União Soviética, Cuba da família Castro, a China desde Mao, a Alemanha Oriental que anabolizava uma porção de atletas para ganhar na mão grande e assim por diante. A Alemanha da suposta raça ariana que se viu humilhada por Jesse Owens nas Olimpíadas de 1936, em Munique, fazendo com que Hitler saísse antes do Estádio para não lhe entregar a medalha. A fascista Itália das Copas de 34-38. A Argentina de Videla e seus generais sanguinários da Copa de 78.

O Brasil de 1970, que vivia debaixo de ditadura, cuja imprensa da época formada por “pretensos comunistas” teria torcido contra a Seleção para que a vitória não fosse usada pelos militares para se manter no poder por mais tempo. Zagallo foi vítima dessa parte da imprensa que dizia que ele comandava um time para os Generais. Levar o time a vitória foi imperdoável.

O engraçado é que sobrou por muito tempo para Zagallo, mas nenhum dos jornalistas revoltados cobrou da mesma forma os jogadores que ganharam o jogo com altíssima categoria. Imagine a preleção do técnico antes da final contra a Itália se ele concordasse com esses jornalistas: “Olhe, não podemos ganhar. Pelé, se a bola sobrar na área não faz gol; Gerson nada de arriscar chutes de fora de área; Jairzinho pode parar de correr, você já fez o necessário e você Carlos Alberto Torres não passe do meio campo. Não chute ao gol da Itália. Clodoaldo você pode perder várias bolas na cabeça de área, sem problema. Precisamos perder o jogo senão os militares farão a festa em cima de nós”. Ah, vão para o inferno, não é?

Já que o Brasil ganhou começaram a dizer que na verdade o time campeão era o de João Saldanha, que tinha sido substituído por Zagallo, e que tinha dado um show durante as Eliminatórias. João sem Medo, um dos seus apelidos, comunista confesso e foi uma das melhores pessoas que conheci, um grande ser humano e um super jornalista e nem ele levava essas bobagens a sério.

O time das Eliminatórias, as Feras do Saldanha, era: Félix: Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo; Wilson Piazza e Gerson; Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu. Uma mescla dos três melhores times da época: Santos, Botafogo e Cruzeiro. Algo, inclusive, muito inteligente para um jornalista que virou técnico da Seleção Brasileira.

O time de Zagallo, campeão do Mundo, era Félix; Carlos Alberto, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo, Gerson e Rivellino; Jairzinho, Tostão e Pelé. O time de Saldanha jogava num 4-2-4 e o de Zagallo num 4-3-3 com Rivellino lembrando o próprio Zagallo de 58 e 62, quando o ponta fechou o meio campo pela primeira vez na história. Desculpem os contrários, mas para mim são dois times totalmente diferentes e ambos excelentes. E segue a roda da vida. Política e futebol ainda vão se misturar muito campos afora.

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