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Bagunça do Campeonato Carioca não é surpresa nenhuma.

O que acontece nos últimos dias no futebol carioca é de fazer qualquer um sentir vergonha. Desorganização, jogos remarcados, indiretas entre dirigentes, comemoração de gol ao lado de hospital onde tem gente morrendo, enfim muita bagunça. Nem no campeonato de Uganda deve ter tantos problemas.


Isso explica muito a situação dos times do estado que jogam numa verdadeira balbúrdia em forma de torneio, pode não ser ainda no nível técnico, mas em organização o Cariocão é disparado o pior estadual com a pior federação do país.


Basta puxar um pouco na memória para lembrarmos casos absurdos que aconteceram no cariocão e que mostram que a atual situação não surpreende ninguém. Caixa d´agua, Eurico Miranda, Elias Duba etc... A baderna não é de hoje. Vamos lembrar de alguns casos absurdos que só a FERJ proporciona.


1986: Surto de Dengue não paralisa o campeonato


Em 1986, o Fluminense era o favorito para conquistar o tetra estadual, mas um surto de dengue assolou metade da equipe tricolor e fez com que o time não comparecesse para enfrentar o Americano, em Campos. A equipe sofreu com a doença pois na rodada anterior jogou em Mesquita, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, local onde tinha mais casos.


Vários jogadores do elenco tiveram a doença como Ricardo Cruz, Vica, Eduardo, Edson Souza, Rogério, Tato, Alexandre Torres, Beto, Maurão... e mesmo com laudo médico de que ninguém tinha condições de jogo a FERJ não cancelou nem a partida contra o Americano nem o campeonato. O Flu não apareceu no jogo e foi decretado W.O. Com a derrota, o Fluminense perdeu a vaga na final para o Vasco no saldo de gols. Na decisão o Flamengo conquistou o título.


1993: Esquema de manipulação


No fim de 1993, o jornal "O Globo" denunciou que um esquema de manipulação de resultados estava sendo armado para o Estadual seguinte, envolvendo árbitros da Comissão de Arbitragem do Rio de Janeiro. O caso foi confirmado, à época, pelos juízes Cláudio Garcia e Cláudio Vinícius Cerdeira. Tudo foi parar na polícia e se instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI do Apito, que tinha como relator Sérgio Cabral Filho, então deputado estadual. O trio Botafogo, Flamengo e Fluminense já estava insatisfeito com FFERJ e o caso foi o estopim para a criação da Liga Carioca de Futebol, uma entidade desvinculada da Federação e que contava ainda com o apoio de Bonsucesso e Canto do Rio.


Bota, Fla e Flu pretendiam não disputar o Carioca em 1994, mas a Taça Juscelino Kubitschek, contra clubes paulistas e mineiros. Em meio às polêmicas, a CBF interveio, fez com que a ideia de um campeonato paralelo fosse abandonada e que os grandes jogassem o Estadual.


1997: Fla-Araçatuba


Essa é uma das minhas histórias prediletas. Já imaginou Sávio, Junior Baiano, Charles Guerreiro, Nélio entre outros com a Camisa do Araçatuba? Acredite, isso quase aconteceu.


A história começa mais uma vez com os clubes descontentes com o simpático Caixa d´agua. O Flamengo por exemplo alegava que o Estadual do Rio era deficitário e queria mudanças drásticas, como formato de disputa e pagamento maior para as equipes. Cansado de levar na cara, o presidente do Clube da Gávea se reuniu com Farah então presidente da FPF para disputar o paulistão.


Vendo potencial na possibilidade, o abusado dirigente paulista ofereceu uma cota de R$ 500 mil por partida a cada mando de jogo desde que o Flamengo utilizasse no Paulista suas principais estrelas. Logo o Araçatuba mostrou interesse na Parceria e de repente foi criada a ideia. Até o uniforme novo do time, que teria que incluir o Amarelo do AEA foi imaginado.


Infelizmente a parceria não foi pra frente e anos depois Kleber Leite admitiu que a hipótese de fazer o Fla-Araçatuba era, no fundo, apenas uma jogada para atacar o rival e conseguir os seus interesses.


1998: Chuva de W.O


O que falar de um W.O duplo?? Coisas que só acontecem no cariocão. 1998 era ano do centenário do Vasco e o calendário do time de são januário era muito apertado com jogos seguidos pela Libertadores, Copa do Brasil e Carioca. Mais uma vez pinta a figura de Eduardo " Caixa d´agua " Viana que resolveu dar uma ajudinha ao seu amigo Eurico Miranda desmarcando e alterando datas dos jogos do Vasco no estadual.


Sabendo que a única chance de vencer o Carioca era o cansaço do Vasco e incomodados com o excesso de poder de Eurico na Federação, os outros três grandes se rebelaram e resolveram não jogar os jogos que tivessem suas datas alteradas. Assim, em 10/05, o Botafogo não compareceu ao Maracanã para jogar com o Vasco e perdeu por W.O. Três dias depois Flamengo e Fluminense não apareceram em Moça Bonita e houve o inédito W.O. duplo .


O Vasco foi campeão graças a esses resultados.


Regulamentos Bizarros


O atual regulamento do carioca já é um tanto ridículo, pois os campeões dos turnos não fazem a final. O mesmo time ganha dois turnos e pode ficar de fora da decisão. Mas isso não é o pior. O Carioca já teve um regulamento que proibia os times grandes de jogar contra os pequenos fora do Maracanã. Ou seja, Os times alternativos perdiam a única chance do ano de faturar com ingresso recebendo o grande em seu estádio. Sem contar o desnível técnico que essa regra causava.


Seletiva para Primeira divisão


Mais uma fórmula mirabolante de regulamento que a FERJ inventou para sacanear os alternativos. A famosa seletiva para a primeira divisão. O time joga a segunda divisão inteira, é campeão e não tem o direito do acesso. Precisa jogar uma seletiva...


Em 2006 aconteceu a mais bizarra das seletivas. Depois do Boavista ter conquistado o acesso por ter sido campeão da Segundona, foi organizado um campeonato exclusivamente para dar quatro vagas a mais na elite. A medida era aumentar, de 12 para 16 clubes, o número de participantes na Primeira Divisão. Com 16 equipes e 20 rodadas em menos de três meses, Bangu, Macaé, Olaria e Goytacaz se classificaram, mas o campeonato foi invalidado pelo Ministério Público, que alegou infrigências ao Estatuto do Torcedor. Resumindo: Jogaram para nada...


Divisão de Acesso


Se o campeonato já é uma bagunça na primeira divisão, imagina no acesso fora da grande mídia e abandonado. Em 2011 por exemplo, a Ferj disse que não havia problema algum em uma partida realizada em Itaperuna. Olhe a Foto abaixo e clica no vídeo para ver se não tem problema.

Em 2013, a Ferj permitiu que jogos profissionais acontecessem neste campo e com essas marcações aí da foto abaixo. Esse é o Estádio Joaquim de Almeida Flores, casa do Nova Cidade, um dos piores do estado.