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Azulão misterioso


Azulão misterioso deveria ser o apelido do São Caetano, time fundado há trinta anos para recuperar a tradição da cidade no futebol. A história do clube é repleta de mecenas e surpresas. Começou com o ex-prefeito da cidade, Luiz Olinto Tortorello, que conheci pessoalmente pagando bicho em dinheiro nos vestiários e falecido em 2004. No início da minha carreira fui setorista do clube pela rádio Mauá. Lá também conheci o ex-presidente e ex-dono, Nairo Ferreira de Souza, o açougueiro. Braço direito do prefeito.


O São Caetano fez história dentro de campo. Campeão Paulista 2004 com Muricy Ramalho diante do Paulista de Jundiaí no Pacaembu. Foi duas vezes vice-campeão brasileiro, 2000 diante do Vasco de Eurico Miranda, trabalhei na cobertura da final no Maracanã, e 2001 no Anacleto Campanella, diante do Atlético PR de Geninho, também trabalhei na decisão. Foi vice da Libertadores diante do Olimpia, também trabalhei na decisão no Pacaembu. Lá entrevistei Coutinho, ainda como treinador. Vi Serginho Chulapa, Edinho, filho do Rei Pelé, e vivi outras tantas experiências.


Pode parecer uma praga ou parte do mistério, mas a queda do São Caetano coincide com uma desgraça. A morte do zagueiro Serginho, em pleno campo de jogo, no Morumbi, diante do São Paulo. De lá para cá, só má notícia. O time perdeu o plumo e caiu. A última vez na elite brasileira foi em 2006. Caiu no Paulista e estaria na série D do Brasileiro neste ano, se não desistisse da vaga, alegando problemas financeiros e a pandemia que assola o planeta.


Tortorello foi o primeiro mecenas. O verdadeiro, diziam as más e boas línguas, Saul Klein, herdeiro do pai, fundador das Casas Bahia. Uma situação misteriosa. Na época de ouro, o patrocínio vinha de parceiros da loja de departamentos. O clube virou empresa limitada com Nairo dono 1 e Luiz de Paula, dono 2. Luiz de Paula, o Batata, foi assassinado à tiros. Mais mistério. Nairo virou dono único e jurava que Saul Klein permanecia nas sombras, ajudando financeiramente o clube.


O misterioso pacto de sobrevivência do São Caetano continuou. Nairo após polêmicas e acusações estranhas, deixou o clube. Assumiria Roberto Campi, conhecido como Bia. Nem esquentou a cadeira. Carlos André de Freitas Lopes, advogado, assumiu e seguiu o juramento de que Saul Klein continuava como mecenas. Foi contratado Paulo Pelaipe, ex-Grêmio e Flamengo, para reerguer o clube.


Não conheço pessoalmente Carlos André, Saul Klein e só conheço de entrevistas, Paulo Pelaipe. Não posso, nem devo fazer críticas sobre essas pessoas, mas parece estranho que a salvação do clube seja abandonar a chance de subir no cenário nacional disputando a série D do Brasileiro. Que os clubes menores namoram com a inadimplência e recebem cartas de amor da falência após a pandemia, é notório. Tudo indica, sem mecenas, o futebol do São Caetano terá o mesmo fim do Saad. Isso, ou o Azulão misterioso, guarda alguma carta na manga inesperada.