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Acredite, o futebol brasileiro já foi mais civilizado

O futebol brasileiro já teve dias melhores dentro e fora do campo, não há nenhuma dúvida disso. A final da Taça Guanabara mostra bem o fundo do poço que chegamos e os responsáveis, ou irresponsáveis, continuam cavando mais fundo ainda. O Fluminense se apequenou e brigou por bobagem. O Vasco participou da pantomima também.

No meio de semana, o Vasco fez uma bonita homenagem aos garotos que morreram no incêndio no Ninho do Urubu colocando o emblema do Flamengo junto ao seu na gloriosa camisa da Cruz de Malta, mas eis que alguns insensíveis de dentro do próprio clube querem a cabeça do presidente por ter homenageado o Flamengo dessa forma.Nem na hora da dor alguns idiotas conseguem deixar a rivalidade de lado. E cada vez piora mais, não há luz no fim do túnel, só um imenso vazio.

Há muito tempo, no século passado, em 1957, Pelé jogou com a camisa do Vasco da Gama num torneio para ajudar na arrecadação para a construção do Estádio do Morumbi. Participaram além do combinado Vasco/Santos, Belenenses, Flamengo e Dínamo Zagreb, que jogaram no Maracanã. Aqui em São Paulo o torneio tinha outra ponta com São Paulo, Corinthians, Sevilha e Lázio. Isso hoje seria impensável. Muitos idiotas iriam protestar e pressionar dirigentes e jogadores.

Escalação do Combinado:  Wagner (Vasco); Paulinho (Vasco), Ivan (Santos) e Belini (Vasco), Urubatão (Santos) e Brauner (Santos) Iedo (Vasco), Pelé (Santos), Ávaro (Vasco), Jair Rosa Pinto (Santos) e Pepe (Santos).

Em 1972, Roberto Rivelino jogou pela Portuguesa contra o Zelzjenicar, da Iuguslávia, e fez até um golaço. Era inauguração da nova arquibancada do estádio do Canindé. Em 1981, Riva jogou com a camisa do São Paulo num amistoso contra a Árabia Saudita para tentar convencer o príncipe dono do Al-Hilal a liberar o passe do jogador para o tricolor. Não deu certo, o príncipe estava irredutível entendendo que Rivelino abandonou o Al-Hilal sem lhe dar satisfação. Naquela época mesmo sem contrato o passe continuava preso ao clube e isso encerrou a carreira do brilhante camisa 10.

Em 1992 houve um amistoso no Maracanã entre os Combinados Vasco/Flamengo e Palmeiras/Corinhians. Jogo terminou 2 x 1 para os paulistas.

VASCO/FLAMENGO: Gilmar, Luiz Carlos Wink (Uidemar), Alexandre Torres, Wilson Gottardo (Jorge Luís) e Eduardo (Piá); Charles Guerreiro, Júnior (Geovani) e Zinho; Bebeto, Gaúcho (Sorato) e William (Paulo Nunes).

PALMEIRAS/CORINTHIANS: Carlos (Ronaldo), Giba, Marcelo, Guinei e Dida (Odair); César Sampaio, Wilson Mano (Erasmo), Edu Marangon (Betinho) e Neto (Tupãzinho); Evair (Marcelinho Paulista) e Paulo Sérgio.

Os gols foram de Paulo Sérgio e Tupãzinho e o excepcional Bebeto marcou para os cariocas. Isso também parece impensável hoje. Com certeza teria protestos.

Muita gente leva o futebol como pura guerra ou como divã de psicanalista. Destila toda sua raiva, sua frustração em cima do jogo e nos envolvidos no jogo. Já é hora de pensar que é apenas um jogo, meio de vida, não de morte. Está na hora de perceber que existem apenas adversários, não inimigos.

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