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A vida devia ser um sonho e o sonho devia ser a vida

A vida devia ser um sonho e o sonho devia ser a vida. Uso muito essa frase. Talvez seja apenas uma visão filosófica do que deveria ser, mas não é a realidade. Esses dias acordei feliz. Sonhei que estava na Alemanha com o grande Loureiro Junior, infelizmente já falecido e com o Oswaldo Maciel. A gente estava trabalhando em um jogo. Tinha jogadores desconhecidos e estádio idem.



Quanta vezes você já sonhou com lugares onde nunca esteve ou com pessoas que nunca viu? Alguns cientistas dizem que são lembranças que nos foram transmitidas pelo DNA dos nossos ancestrais. Esses sim estavam nesses lugares e conviveram com esses "estranhos". Se for isso mesmo é mais uma prova que o homem mortal se eterniza nos seus descendentes pela vida afora. Não há comprovação, é apenas uma teoria, mas cá entre nós, bem plausível e bem agradável.



Mas nesse caso fui buscar nos meus arquivos e lá encontrei uma foto justamente, em Frankfurt, em 1986, quando fizemos o giro da Seleção de Telê Santana que se preparava para a Copa do México, pela Rádio Record. Um jogo em Frankfurt e outro na linda Budapeste, na Hungria. Estamos lá na foto eu, Loureiro e Maciel na Cervejaria Löwenbrãu . Se não me engano tempos depois o local foi vítima de uma bomba terrorista. A gente já não estava mais lá. Graças a Deus.



Talvez tenha sonhado com isso também porque nos últimos dias tenhamos falando tanto da volta do Campeonato Alemão e isso tenha ficado na minha cabeça. Pode ser. Mas nesses tempos de confinamento em que a gente tenta se juntar mesmo distante e fala com o Mundo, mas não tem ninguém para conversar proximamente, talvez o cérebro vá buscar também suas reprises para acalmar nossa alma.



Por falar em sonhos e vida, a gente agora sonha acordado com um bom Restaurante ao ar livre, com os abraços dos amigos e dos familiares, dos beijos perdidos no vento, do aceno que fica na distância e com passeios por lugares incríveis. Essa Pandemia nos faz dar importância para coisas tão "pequenas" que na verdade são os alicerces das nossas vidas. São aqueles tijolinhos que seguram nossas estruturas.



Hoje a gente para ao ouvir o cantar de um passarinho e tem paciência para observa-lo por um bom tempo. Há quanto tempo você não fazia isso? Nos pegamos olhando para o Céu talvez procurando uma resposta de Deus ou apenas para admirar o firmamento. Quando que a gente fazia isso? Passava meses e anos sem levantar a cabeça para olhar os belos desenhos das nuvens e o revoar dos pássaros. Perdíamos tempo nos ensimesmando. O umbigo era o centro do Universo.



Que aproveitemos esse Pesadelo infernal para dar importância ao que é importante e sonhar com a Vida quando a Vida voltar. Por enquanto vamos sonhando pela janela.



Em tempo: Confesso uma frustração numa carreira na qual sem falsa modéstia acho que tive muito sucesso. Eu não tenho muitos registros fotográficos de tantas viagens e coberturas. Também não era tão fácil como hoje com o celular. Eu me preocupava sempre em trabalhar, em fazer boletins, entrevistas, transmissões, não deixar de estar no ar, afinal foi para isso que eu fui escalado, mas não custava ter batido mais fotos e ter mais coisas para mostrar hoje. Faz parte. Não chega a ser um arrependimento, é um lamento. Mesmo assim tenho muitas recordações memoráveis com companheiros e locais de trabalho interessantíssimos. É a vida do repórter. Sempre correndo atrás e às vezes se esquecendo de si mesmo.