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A PEDRO O QUE É DE PEDRO


Toda a unanimidade é burra.

A famosa frase acima, cujo autor foi o inesquecível jornalista e escritor Nelson Rodrigues, tem lá o seu fundo de verdade. Contudo, possui também suas exceções – que podem ser raras, admito, mas que existem. Vejamos, por exemplo, o caso do centroavante Pedro, do Flamengo/RJ, cuja presença na Seleção Brasileira que disputará a Copa do Mundo do Qatar é uma exigência de 99,9% dos torcedores (o 0,01% que não o exige são formados por aqueles que de futebol absolutamente nada entendem e/ou gostam, ou como outro genial cronista, Rubem Braga, certa vez os definiu: “os quatro que a cidade abriga”.

Obviamente, não é necessário ocupar este espaço explicando a você, prezado leitor, os motivos que fazem com que o comandante do ataque flamenguista mereça disputar o Mundial com a camisa amarela. Tenho a mais absoluta certeza de que o amigo que ora me honra com sua leitura está – aliás, talvez até bem mais do que eu – careca de saber quais são as inúmeras qualidades do jogador. Então, prefiro apenas lembrar que Tite, o responsável pela lista final, tem duas razões a mais para fazer justiça.

A primeira é que antes da convocação definitiva, ele fará mais uma, na próxima sexta, dia 9, para os jogos amistosos contra Gana, em 23/09, e Tunísia, quatro dias mais tarde, ambos em território francês. Ou seja: serão duas excelentes oportunidades para Pedro lhe provar que tem características diferentes e superiores a todos (isso mesmo: eu disse todos) os demais “camisas 9” que já receberam chances no selecionado nacional. Só que, para tanto, é óbvio que não basta convocar o rubro-negro – é preciso colocá-lo para jogar.

Já a segunda é ainda mais contundente: como decidiu aumentar definitivamente para cinco o número máximo de substituições em cada jogo, a FIFA também anunciou que cada país poderá convocar 26, e não mais apenas 23 atletas para a Copa do Mundo. Ou seja: abriram-se mais três vagas, e não existe motivo algum na face da Terra que impeça que uma delas seja ocupada pelo melhor atacante do Brasil no momento.

Tanto eu quanto vocês sabemos, claro, da aversão de Tite em relação a jogadores que atuam no futebol brasileiro, já que para ele o fator determinante no momento de uma convocação é se o atleta joga na Europa – e que se dane se por aqui há outro melhor, já que na visão do futuro ex-treinador do Brasil (ele deixará o cargo após o fim da participação da Canarinho no Qatar) nossas melhores competições são “café com leite” se comparadas às piores ligas europeias. Mas, desta vez, nem mesmo a conhecida teimosia do treinador me parece capaz de impedir que ele faça o que tem de fazer.

Para o bem da Seleção Brasileira, a Pedro tem de ser dado o que ele fez por merecer.

­­­­­­­­­Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 34 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 17 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br




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