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A MARAVILHOSA IMBECILIDADE DA PAIXÃO


Torcedor amigo, me responda com sinceridade: por qual time você torce? É maloqueiro e sofredor e faz parte de um bando de loucos? Assumiu ser um porco? Há décadas é viúva do Pelé? Não se importa de ser tachado de bâmbi?


Na verdade, tanto faz. E sabe por quê? Porque independentemente da equipe pela qual sofra, vibre, chore ou se extasie, você é maravilhoso. Afinal, seu clube pode se gabar de ser o maior campeão nacional, de ter a torcida mais apaixonada do País, de ser considerado o time da elite ou, até mesmo, de ter tido em suas fileiras o maior craque que este mundo já viu – ou verá.


Mas o que o torna, realmente, gigante, é você. Isso mesmo: você, torcedor, é o maior responsável por tudo o que o seu time já conseguiu na vida. E é por isso que você é maravilhoso.

Só que tem um outro lado desta história. Você, torcedor, também é um imbecil. Desculpe-me pela sinceridade, mas esta é a mais pura verdade.


Quer uma prova simples? Então, vamos lá: quantos campeonatos seu time já ganhou? Muitos, claro. E quantos perdeu? Infinitamente mais. Até porque a relação é sempre um contra todos, e todos os clubes, somados, têm muito mais títulos do que o seu clube.


Em outras palavras: você comemora apenas quando sua equipe é a campeã, e fica “p” da vida quando qualquer outra consegue tal feito. Assim, é muito mais corriqueiro você se aborrecer com o futebol do que ficar feliz com ele. E é por isso que você é um imbecil.


Ocorre, porém, que você é um apaixonado, e todo apaixonado é irracional. E por não ser racional, é elevado à condição de inimputável. Quase toda ação que pratica, mesmo que perniciosa, lhe é desculpável.


Gritar o nome de seu time até as cordas vocais se emudecerem, ficar bem próximo de um colapso cardíaco quando das vitórias ou derrotas, gastar até mesmo o dinheiro que não tem para comprar produtos e ingressos que revertam fundos a seu clube são ações consideradas inerentes tanto aos maravilhosos quanto aos imbecis.



E é exatamente por tudo isso que toda vez que te olho nos olhos eu vejo refletida a minha imagem.

Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 34 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 15 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br