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A FORÇA DA GRANA, QUE ERGUE E DESTRÓI COISAS BELAS


Começou neste domingo o Campeonato Paulista, mais importante competição regional do País e que, além de envolver alguns dos maiores clubes brasileiros, ainda mexe com a emoção de mais de 65 milhões de torcedores, segundo a mais recente pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha.


O parágrafo acima contém duas verdades e uma mentira: de fato, o Paulistão é, ainda, o “top” dentre todos os campeonatos estaduais, até porque alguns deles, convenhamos, beiram ao ridículo em se tratando de organização e competitividade; e também não se contesta que quatro dos maiores times do Brasil são, quase sempre, os favoritos à sua conquista. Mas no que diz respeito ao interesse do torcedor, isso nem de longe é verdade – hoje, ao contrário de ontem, são raríssimos aqueles que dedicam o seu tempo ou perdem o seu sono por causa deste torneio.


Houve um tempo, e nem faz tanto tempo assim, que o Campeonato Paulista era tão importante quanto o Brasileirão ou mesmo a Libertadores. A rivalidade entre Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos se acirrava ainda mais a cada edição, a Portuguesa de Desportos montava equipes sempre muito bem qualificadas e os times do Interior, muitas vezes, surpreendiam com craques em nível de seleção – como Ponte Preta e Guarani nos anos 70 e 80 ou Bragantino nos anos 90. Por isso, ser campeão paulista era algo importantíssimo, que o digam corintianos e palmeirenses que amargaram longos anos sem levantar esta taça e, quando o conseguiram, fizeram festas inimagináveis e por isso mesmo inesquecíveis.


Só que o tempo foi passando, os interesses foram mudando e o Paulistão foi perdendo força e graça. Os motivos? Competições mais interessantes, financeira e esportivamente, foram criadas (como as Copas do Brasil e Sul-Americana), a força do nosso Interior foi diminuindo devido à constante crise econômica, menos jogadores foram revelados e regulamentos frágeis e discutíveis foram criados. Com isso, a atenção do torcedor e dos principais clubes foi se desviando para outros focos e, hoje, nosso campeonato só desperta atenção quando chega a hora das partidas decisivas.


Saudosista ferrenho que sou, ainda me emociono com o Choque-Rei, os Derby’s (tanto o da Capital quanto o de Campinas), o Majestoso, o Clássico da Saudade, o San-São ou o Clássico Alvinegro. Mas sei que sou minoria, pois quase todos os mais de 65 milhões de torcedores que citei acima encaram a competição apenas como um treinamento para as demais que seus times terão na temporada, todas muito mais importantes e muito mais lucrativas.

Como diz o poeta, é a tal “força da grana, que ergue e destrói coisas belas”.

Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 34 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 16 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br