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A FALTA QUE UM SORRISO FAZ


No final de 2015, o São Paulo se despediu de seu melhor goleiro e, também, do maior ídolo de toda a sua história. Quando decidiu pendurar as luvas, já contando então 42 anos, o hoje treinador abriu uma lacuna na meta tricolor que até hoje, mais de seis anos depois, ainda não foi preenchida. Mas nem tudo foi tristeza pelos lados do Morumbi naquela ocasião: ao mesmo tempo em que se despedia de seu mais emblemático atleta, o clube também se livrava de alguém marcado pela antipatia e arrogância, características responsáveis por um enorme alívio que, comentou-se na época, foi sentido sobretudo no CT da Barra Funda.

O tempo passou, Ceni amadureceu, mas ao que parece seus defeitos seguem os mesmos. A pífia campanha do São Paulo neste começo de Campeonato Paulista – somou apenas um dos nove pontos que disputou, tendo ridículos 11.1% de aproveitamento e ocupando a penúltima colocação na classificação geral – além de surpreendente, dados os reforços contratados pela diretoria, vem espelhando o maior problema que o agora treinador são-paulino tem desde sempre. Nos bastidores do clube, há quem já queira até mesmo a demissão do técnico, alegando que, sob seu comando, os jogadores estão sempre sob pressão, e que nem mesmo durante os treinamentos ou conversas com o elenco ele consegue esboçar o menor sorriso.

Obviamente, responsabilizar o constante mau humor ou mesmo a conhecida antipatia de Rogério Ceni pelo mau futebol e pelos maus resultados da equipe chega a ser ingenuidade, mas é verdade, sim, que jogadores se sentem mais motivados e até mesmo mais aptos a renderem um bom futebol quando têm no chefe imediato alguém que os incentiva, que os orienta mas, principalmente, que os faz sentirem ser essenciais ao grupo. E isso só se consegue quando se utiliza o famoso “papo de boleiro”, algo que o atual comandante, mesmo tendo sido um, jamais conseguiu demonstrar.

Esta não é a primeira vez que o ex-goleiro é acusado de ter a cara fechada e de se julgar superior aos seus subalternos. Sua passagem pelo Flamengo/RJ, por exemplo, apesar de vitoriosa – conquistou os títulos do Carioca, da Supercopa do Brasil e do Brasileirão – foi marcada por vários episódios neste sentido. E sua demissão, garantem muitos, se deu principalmente pela total aversão que o elenco sentia por ele em razão dos motivos citados acima.

Ninguém é antipático ou arrogante porque quer, mas seria muito bom para Rogério Ceni se ele conseguisse melhorar pelo menos um pouquinho seu jeito de ser. Até porque nesta quarta-feira o São Paulo voltará a campo (diante do Santo André) e, se ao final do jogo o placar eletrônico do Morumbi não apontar uma vitória tricolor, provavelmente nem todos os sorrisos do mundo serão capazes de mantê-lo no cargo.


Márcio Trevisan é jornalista esportivo há 34 anos. Escritor com cinco livros publicados, começou no extinto jornal A Gazeta Esportiva, onde atuou por 12 anos. Editou várias revistas, esteve à frente de vários sites, fez parte de mesas redondas na TV e foi assessor de Imprensa da S. E. Palmeiras e do SAFESP. Há 17 anos iniciou suas atividades como Apresentador, Mestre de Cerimônias e Celebrante, tendo mais de 450 eventos em seu currículo. Hoje, mantém os sites www.senhorpalmeiras.com.br e www.marciotrevisan.com.br. Contatos diretos com o colunista podem ser feitos pelo endereço eletrônico apresentador@marciotrevisan.com.br