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A culpa que Pratto não tem

A culpa que Pratto não tem. No futebol quando há uma derrota importante se busca culpar alguém ou até demonizar personagens. Muita gente diz que o culpado pela derrota do River Plate para o Flamengo foi do atacante Lucas Pratto e outros vão mais longe e dizem que a culpa é de Marcelo Gallardo que o colocou nos minutos finais da partida. A análise sempre é válida, mas nem sempre é consciente. Muitos vão no embalo sem analisar toda a questão.



Lucas Pratto é um jogador importante na história do River. Fez gols que deram o título da América contra o Boca, em Madrid, no ano passado. Voltava de contusão e brigava pela posição com o colombiano Borré, que fez o gol do River em falha de Filipe Luís, Wilian Arão e Gerson. Portanto, se o Flamengo não vira o jogo por esse conceito de culpa total esses três teriam dado a Libertadores para o River.



Pratto perdeu a bola no ataque do River. Tentou o passe, que seria o mais certo, e errou, na volta brigou pela bola e perdeu dando um contra-ataque para o Flamengo. Diego foi muito bem na jogada e colocou Bruno Henrique, a principal jogada do seu time, para desmontar a zaga argentina. Era o mais manjado. Dali para Arrascaeta e gol de Gabriel Gabigol. O empate estava consumado.



Lembrou aquele gol do Grêmio contra o Flamengo no 1x1, da ida em Porto Alegre. Filipe Luís se contundiu, caiu, Éverton Ribeiro perdeu a bola e no contra-ataque o Grêmio empatou com Pepê. Os flamenguistas gritaram porque o Grêmio não respeitou o Fair Play já que o lateral estava caído e o técnico Jorge Jesus foi preciso: "O Grêmio correu mais de 70 metros com a bola e ninguém deteve a jogada. Normal, tudo certo, é do jogo".



A mesma coisa sábado, em Lima. Pratto perdeu a bola e o Flamengo teve mais de 70 metros para construir a jogada. Bruno Henrique ainda esperou a chegada dos companheiros e com muita categoria construiu o gol de empate. Na hora em que a bola é tocada para Arrascaeta pelo menos 7 jogadores do River estão na defesa. O River que picotou o jogo todo com muitas faltas deu espaço para Bruno Henrique. Ou seja, os companheiros de Pratto tiveram tempo para evitar o gol. E aí também vale a competência do adversário que se aproveitou bem da situação. Mérito do Flamengo. Não dá para jogar tudo nas costas do Pratto.



Arrigo Sachi, ex-técnico do Milan, dizia que um time falha pelo menos 3 vezes por tempo. Podem ser falhas graves, médias ou pequenas, mas se o adversário aproveita-las a chance de perder é grande. Foi assim no Brasil 1 x 7 Alemanha, em Belo Horizonte. O Brasil errou 4 vezes seguidas e tomou 4 gols. Não é normal nem tantas falhas aconteceram na sequência e nem todas serem aproveitadas. Daí vira basquete. Mas às vezes acontece e quando acontecem é uma tragédia ou se perde um título importante.