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106 anos do Palmeiras. Sou santista por causa de um querido torcedor do Verdão

106 anos do Palmeiras. Sou santista por causa de um querido torcedor do Verdão. Acredite, é verdade. No final da década de 60, início da de 70, meu pai fervoroso parmerista, como todos os palmeirenses de Piracicaba e região se auto intitulavam, ouvia os jogos do seu Verdão pelo Rádio.



Já contei essa história várias vezes e não me canso porque foi o que me levou a torcer pelo Santos e provavelmente a me apaixonar pelo rádio sem saber ainda o que iria fazer da vida. Mas aquelas narrações da antiga Rádio Tupi, Equipe 1040, comandada pelo grande Haroldo Fernandes e a fabulosa equipe da Bandeirantes com Fiori Gigliotti, Mauro Pinheiro e Roberto Silva marcaram minha infância radiofônica.



Meu pai depois de muito economizar conseguiu comprar um rádio. Televisão nem pensar. Tanto é que assistimos a Copa de 70 no "Televizinho", na casa da Dona Dolores, que era ciumenta demais e tempos depois matou o Dito, que era seu marido. Durante a Copa até que eles festejaram juntos, mas eu era pequeno demais para entender essa história.



E a vida seguiu seu curso. Quando o Palmeiras jogava fora de São Paulo, meu pai ia para o quintal na véspera e ficava procurando uma rádio do local onde ia acontecer o jogo para deixar sintonizado para ouvir no dia seguinte. Eram ainda as famosas ondas curtas. Aquelas que sumiam o som o tempo todo. Muitas vezes quando voltava o narrador já estava no meio do grito de gol. Hoje com toda essa tecnologia à nossa disposição falar assim parece coisa inventada. Tem gente que não acredita. Mas o Mundo era assim.



Mesmo já como repórter Mundo Afora passei por isso. Em 1986, pouco antes da Copa do México, a Seleção fez dois jogos na Europa (Frankfurt contra a Alemanha e em Budapeste com a Hungria) e houve problemas. Fomos eu, Oswaldo Maciel, Loureiro Júnior e Antonio Jurca, que era o técnico, pela Rádio Record. Depois de muita luta para falar de Budapeste para o Brasil, veio um colega da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, com um recado: "A Record entrou em contato com a nossa técnica e informou que vocês estão chegando alto e bom som., mas que não consegue falar com vocês. Maciel, é para você contar devagar até 50 e abrir a jornada" e assim foi feito. Transmitimos um jogo sem contato com o Brasil. No dia seguinte, o hoje "falecido" telex nos avisou que foi tudo muito bem. E não foi a primeira e nem a última vez que isso aconteceu. Era assim.



Mas voltando à Piracicaba, em meio aos jogos do Palmeiras havia sempre um posto nos jogos do Santos, principalmente na Vila Belmiro. A grande verdade é que as Rádios da Capital privilegiavam os três grandes (Corinthians, Palmeiras e São Paulo) e o Santos era apenas informação, mas os narradores que acompanhavam o time de Pelé entravam muito na jornada porque era um gol atrás do outro. Era um tal de gol na Vila, Pelé, gol na Vila, Toninho, Gol na Vila, Negreiros, Douglas, Edu, Abel, gol na Vila e assim por diante. Isso mexeu comigo. Decidi, meu time é esse que faz um montão de gols.



O meu pai não deve ter gostado muito, mas nunca discutiu. A família é toda palmeirense com duas exceções. Eu sou santista e meu irmão mais velho, Tony José, é corintiano. Vai ver que é por rebeldia porque na época o Corinthians mais apanhava que batia. Depois começou a ganhar e foi até campeão do mundo assim como o Santos já tinha sido e o Palmeiras nunca foi. Mas cá entre nós, o Palmeiras precisa desse título para ser grande? Tenho certeza que não. O Palmeiras é um dos maiores clubes do Mundo, tem uma história de conquista incrível e influenciou a vida de muita gente.



Além disso, é o time do meu pai, Alessio Quartarollo, que nasceu, em 1928, 14 anos depois da fundação do clube, e faleceu em 2013. Acompanhou praticamente toda a vida vitoriosa do seu Palmeiras e garanto que foi muito feliz. Parabéns, Verdão.