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ÉDER JOFRE E EU: NOCAUTEAMOS A TV RECORD EM 62

Olá amigos !



Neste mês o nosso GALO DE OURO, Éder Jofre recebeu nova e merecidíssima homenagem nos Estados Unidos, sendo incluído no Hall Da Fama da Costa Oeste. No Hall Da Fama de Nova Iorque já estava incluído desde a década de 90.


Seu cartel como lutador é extraordinário: 81 lutas – 75 vitórias – 50 por nocaute – 4 empates – 2 derrotas. Nunca foi nocauteado.


Vibrando e me emocionando ao ver as homenagens recebidas na California, amparado pelo filho Marcel (nome dado ele pelo pai em homenagem ao pugilista francês Marcel Serdan, grande campeão e que foi o amor de Edith Piaff, uma das maiores cantoras francesas de todos os tempos e falecido em desastre aéreo) e pela filha Andrea, lembrei-me da amizade que temos e que se solidificou no ano de 1959, quando iniciei a minha carreira de repórter na saudosa TV Tupi, então Canal 3 e depois Canal 4.


Lembram?


Sempre gostei de boxe. Garoto ia sempre ver as lutas do Forja de Campeões, de A Gazeta Esportiva, criado pelo amigo jornalista Newton Campos, também dirigente da Federação Paulista de Pugilismo e várias entidades internacionais de boxe.


Vi o Éder nascer para o pugilismo nessa Forja.


Durante muitos anos, cobrindo boxe e participando de transmissões de lutas, reportagens, estava constantemente entrevistando o nosso “Galinho de Ouro”.

Ao final das lutas transmitidas pela Tupi, levava os nossos pugilistas para os estúdios do Sumaré para entrevista-los no tele jornal O DIÁRIO DE SÃO PAULO NA TV, na seção de Esportes, onde eu era fixo ao lado de e em revezamento Luiz Noriega e Walter Silva (Picapau, lembram dele?).


Então, historiando e justificando o titulo.


Das lutas no Ginásio do Pacaembú, que depois com o crescimento do boxe e de Éder Jofre, passaram para o Ginásio do Ibirapuera, recém inaugurado, a minha rotina de repórter era, pela manhã cobrir e fazer as sonoras nas pesagens dos lutadores na sede da Federação Paulista de Pugilismo, que ficava no Edifício do Automóvel Clube ou GOLF, na Av. 9 de Julho.


No dia 18 de julho de 1962, à noite, Éder Jofre iria enfrentar Johnny Caldwell, irlandês, campeão mundial dos Galos pela Associação Mundial que reunia os campeões da Europa e de outros países. Seria a luta da unificação dos títulos.

Caldwell era conhecido como O IRLANDÊS DE OLHOS GLACIAIS.

Desde a sua chegada ao Brasil, nas suas entrevistas, dizia que “iria derrotar Éder, que era famoso só aqui no Brasil e ganhava só aqui”. Em todas as suas entrevistas era a mesma declaração: “Vou acabar com esse brasileiro. Agora ele vai saber o que é um campeão.”

Éder começou a ficar irritado com essa falação e começou a responder, mas cada vez com mais ódio do cara.


No dia da luta, na pesagem, lá estava eu fazendo a minha matéria.

Já meu amigo, Éder, após todas as lutas ia comigo para a TV Tupi participar do tele jornal que ia até a uma e as vezes até as duas da manhã.

Mas ... no dia anterior e no dia da luta, a TV Record, inclusive com o peso do saudoso Dr. Paulo Machado de Carvalho, já que iria também transmitir a luta, conversou com Kid Jofre, pai e técnico do nosso campeão, acertou que ele e o filho, após a luta iriam participar de um especial na TV Record.


Walter Abrahão e Jota Lemos, que comandavam o esporte e o jornalismo da TV, me chamaram e disseram que deveria conversar com o Éder.

Após a pesagem, chamei o Éder e lhe disse: “Estou preocupado com você hoje e por dois motivos. É a primeira vez que estou te vendo com raiva e ódio do adversário. Isso não é bom. E também porque a TV Record está anunciando que após a luta você irá para lá para um programa especial e que o doutor Paulo já acertou tudo com o seu pai.”


Resposta dele: “estou mesmo com raiva desse cara e por isso irei massacrá-lo. A cara dele vai ficar como uma molinhana cozida (molinhana é beringela em português). Quanto à ida para a TV depois da luta, sempre fui com você e não irei mudar isso. Meu pai vai para a Record e quando terminarmos na Tupi, se der tempo irei para lá. Somos amigos e não farei trairagem com você”.

Ele massacrou o irlandês que apanhou com o nunca tinha apanhado, no décimo assalto, dobrou as pernas, se reergueu e junto ao corner apanhou tanto e as cordas o impediam de cair. O técnico do irlandês ia jogar a toalha, mas o árbitro, acertadamente, afastou o Éder, e levantou-lhe o braço, determinando o nocaute técnico, que significou a união dos títulos da categoria.


Banho tomado entrou comigo na nossa perua da TV TUPI, fomos para o Sumaré e, cá pra nós, o seguramos o máximo que pudemos no ar. Não deu tempo de ir para a TV Record, que ficou apenas com o pai dele, o Kid Jofre no ar.


Foi o nosso NOCAUTE NA TV RECORD.


Obrigado, Éder, meu querido amigo.

E, como sempre me despedia dele no ar, ou qualquer outro encontro: “Me espera lá fora que vou te dar uma surra”.


Obs. “Que Deus o abençoe, hoje esquecido, sofre com a Encéfalo Patia Traumática Crônica (a doença dos pugilistas que antes se dizia ser o Alzhaimer, até que os estudos comprovaram ser das pancadas e golpes na cabeça).


Um abraço.

Lucas Neto